* Quando cabelo vira neura

*Por Edla Zim

Como coordenadora do programa menor aprendiz, aprendi muitas lições, entre elas…

Cabelo sempre foi um problema para nossosjovens. Alguns meninos chegavam atrasados porque levavam até duas horas para modelarem seus cabelos. Época dos topetes para uns e os propositalmente esculhambados para outros, o que não diminuía em quase nada o tempo do preparo. Corte era mais um sinônimo de choro do que alegria. Cabelo sempre me deu muito trabalho. Eu cobrava muito deles.

“Cabelodeve ser lavado, penteado, escovado, preso, sem presilhas chamativas. Vocês não sabem? O mercado é exigente!”

Quando as mechas e as benditas luzes começaram a surgir, o cuidado aumentou.

“Cuidem deste cabelo. Olha a hidratação. Não passem chapinha, não alisem. Cuidados com os descolorantes e químicas!”

Nas reuniões aproveitava para dar dicas com os cuidados, e isto contemplava dicas de produtos naturais, para evitar a agressão, já que a maioria era muito jovem e também com o exagero nos gastos com shampoos e cremes caros para os padrões.

Minha preocupação ainda era maior com as jovens de cabelos afros, pois era um tempo que o alisamento estava em alta e muito desejado entre as meninas. Além de empenho financeiro, ainda tinha o risco de quedas. Quedas eu falei? A irmã de uma menor perdeu o cabelo porque aplicou um creme alisador junto com outra química no cabelo.

Mas, a liçãoveio do surto de uma jovem quando teve o cabelo cortado. Foi uma situação tensa, pois a menor ficou doente e quase entrou em choquedevido a dois míseros dedos cortados a mais. O cabelo parecia de ouro, tamanho o desespero.

Isto me fez conversar muito com ela. Buscar ajuda,afinal não era uma situação normal. Não era, de fato. Por trás daqueles dois dedos havia algo maior e mais perturbador. E como lidar com mais 15 jovens, sem que ela sofresse ainda mais?

A conquista final foi do grupo. A palavra de ordem foi respeito coletivo e o respeito individual. Tínhamos todos os tipos de cabelosno grupo. Crespos, lisos, afros, loiros, escuros, claros,curtos, longos e médios.

Aos poucos, a jovem foi entendendo que cabelo crescia, portanto, nada estava perdido.Ficou o alerta que a aparência era importante, mas também, não era tudo.Aprendemos na época a lidar com as perdas, pequenas e as maiores.

E você, já teve alguma “neura” com o seu cabelo?

ivanacoluna
* Edla Zim é Graduada em Administração de empresas, Relações Públicas e Publicidade e Propaganda. Possui Pós Graduação em Gestão Empresarial e Recursos Humanos. Atuou quase 40 anos no mercado, dos quais 30 anos na empresa Tracebel Energia. Mas foi na família, que Edla conquistou sua maior formação e transformação. Palestrante de diversos temas voltados ao comportamento humano, família, mulheres, empresas e jovens.  

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