* Moça Bradesco 1

*Por Edla Zim

Em 1979, com apenas 15 anos, me inscrevi para a vaga de Moça Bradesco. Um must na época. Nas décadas de 70/80, a moça de vermelho e branco que atendia os clientes do banco tinha um quê de glamour, especialmente nos olhos dos velhinhos que achavam chique ser atendidos por alguém que estava na porta de braços abertos para recebê-los. Na verdade, todos os clientes eram atendidos desta forma. Sabíamos o nome, ramo e local de trabalho de todos. Não sabíamos apenas o número de suas contas, mas também o número do CPF e o telefone fixo.

Tínhamos conhecimento dos gostos e das “bardas” de nossos clientes. Tinha o que chegava na hora e o que chegava antes da hora. Imaginem só, naquela época o banco abria às 8:00hs da manhã, mas para os clientes especiais, a moça, permitia a entrada às 7:30hs. Isso mesmo, 7:30hs da matina. E olhem que nesta hora já estava totalmente pronta e com um sorriso largo no rosto. Aliás, esta era a premissa básica para ser Moça Bradesco. Imaginem só, uma Moça Bradesco de mal humor? Nem pensar!

Como fui acostumada e criada com meus avós, aquilo era uma diversão para mim. E acreditem, naquela época o banco dava muito valor ao aposentado (muito diferente de hoje), então eu unia o útil ao agradável.

Aposentados, agricultores e uma boa parte deles semianalfabetos e, com isto, minha responsabilidade no atendimento aumentava ainda mais. Na medida que meu carinho e cuidados aumentavam, aumentavam também a quantidade de legumes e frutas para dividir com meus dois colegas vigilantes, Nilson e o Pedrão, que me salvaram de algumas situações mais difíceis quando algo era negado para algum cliente “mais nervoso.”

Era apaixonada por esta função. Só depois, percebi que este amor me fez patinar e demorar a conseguir uma nova função, exatamente pelo meu amor ao cargo.

Hoje, ao esperar por quase uma hora em uma agência bancária, sem ter recebido um único bom dia, foi impossível não lembrar da minha época.

Impossível não fazer comparações, mesmo sabendo de toda mudança no cenário econômico e avanço tecnológico. Não perguntaram meu nome e nem se eu queria permanecer como cliente do banco. O único diálogo foi perguntar se a senha chamada na tela conferia com a minha?

Não se vive de passado, mas que me deu saudade de um bom atendimento, me deu!

 

ivanacoluna
* Edla Zim é Graduada em Administração de empresas, Relações Públicas e Publicidade e Propaganda. Possui Pós Graduação em Gestão Empresarial e Recursos Humanos. Atuou quase 40 anos no mercado, dos quais 30 anos na empresa Tracebel Energia. Mas foi na família, que Edla conquistou sua maior formação e transformação. Palestrante de diversos temas voltados ao comportamento humano, família, mulheres, empresas e jovens.  

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