* A missão da mulher!

*Por Vânia Martins

Fiquei aqui tentando rascunhar este texto e pensando no que poderia ser dito sobre nós mulheres num mês em  que parece ser tão nosso, afinal 08 de março é o dia internacional da mulher, o dia em que comemoramos nosso “ser “ no mundo.

Neste dia, os holofotes estarão de certa forma, posicionados em nossa direção. Seremos lembradas pelas conquistas alcançadas, pelo cenário devastador que já enfrentamos no passado, pela força que corre nas veias para permanecermos firmes no tempo presente.

Ouviremos e/ou leremos longos discursos do quanto já conquistamos e do quanto ainda há a conquistar; do quanto penamos para chegar aonde chegamos e do quanto necessitamos de empoderamento feminino para seguirmos avante na nossa missão. Mas e qual é nossa missão?

Paul Tounier, psiquiatra suíço ao longo de sua trajetória de vida buscou estudar o ser humano na sua integralidade.  Ele dizia que vivemos imersos em dois  mundos, o mundo das coisas e o mundo das pessoas.Estes dois polos, dois modos tão diferentes um do outro, foi inclusive  estudado por um outro autor chamado Martin Buber, Filósofo,  que expressou estes  dois mundos como  “eu isso”( mundo dos objetos)  e “eu você” ( mundo das pessoas).

Tounier “afirmava que o mundo das mulheres é geralmente movido pelo “mundo das pessoas” e o dos homens pelo “ mundo das coisas “,  e que parecia haver causas biológicas para tal diferença apontando a superioridade verbal nas meninas nos seus primeiros anos de vida e a superioridade espacial dos meninos na mesma idade. Dizia que o homem ama as grandes teorias abstratas e universais e a mulher os pequenos detalhes vividos.

E é bem verdade o que diz Paul Tounier. Não há como falar de mulher sem expressar emoção, intensidade, amabilidade. Somos compostas de um material intransferível que ao fazer contato com o material masculino,  também intransferível , nos tornamos complementares. Uma complementaridade que não torna o homem melhor que a mulher ou vice versa,mas os faz melhores um para o outro.

Afinal é esta complementaridade indissolúvel entre homem e mulher que  constitui o fundamento da pessoa: “imagem de Deus”.

E se pensarmos qual nossa missão hoje eu diria que uma delas é descobrirmos que tipo de contribuição nossa sensibilidade e “sentido de pessoa” podem levar à sociedade, quer estejamos no lar, na igreja, no trabalho ou na política.

Considerando que nosso discurso geralmente ( para não dizer sempre) parte inicialmente da emoção , diria ainda que, nossa missão no mundo é fazer valer o que somos , o que sentimos, ter liberdade de expressão; apropriar-se do “ser Mulher” no mundo sem necessariamente negar a importância fundamental  do “ser homem” no mundo.

Nossa missão, dentre tantas, consiste em buscar fazer bom uso de nossa emotividade e facilidade de expressar sentimentos, pois, como já disseram diversos atores de diversas formas : “Toda emoção é criadora , e toda criação é cheia de emoção

Nossa missão está muito bem representada nas palavras de Paul Tounier que diz:

“Parece-me preferível pedir às mulheres que nos curem, que aqueçam este mundo glacial da objetividade, que dêem uma alma a esta sociedade mecanizada”

 

Desejo a todas as mulheres  uma existência com senso de missão e cheia de emoção!

 

Bibliografia:

Tounier, Paul. A missão da Mulher. Ultimato, Viçosa: MG,  2008.

 

 

img-20160622-wa0008* Vânia Martins – Graduada em Psicologia pela Universidade do Sul de Santa Catarina. Pós Graduada em Psicodrama, pela Lócus/Partner RH, com foco em Psicoterapia bipessoal, casal  e grupos, obtendo o título de Psicoterapeuta Psicodramatista. Pós Graduada em Terapia Familiar Relacional Sistêmica, pelo Eirene do Brasil, Blumenau, 2014, com foco em Psicologia Clínica a casais, famílias e indivíduos, obtendo o título de Psicoterapeuta Familiar Sistêmica.

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