*Temos motivos de sobra para comemorar

*Por Edla Zim

Olhando hoje para minha filha, enquanto tomávamos café, lembrei-me dos causos contados por minha mãe, que nasceu na década de 30. Parei no tempo e fiz a conta da diferença de idade entre as duas, 58 anos. E o que isto representa? Representa um caminho de muitas conquistas, de muitas vitórias.

Minha mãe não estudou. Estudou o bastante para aprender assinar o nome e fazer continhas de mais e de menos. Foi um talento desperdiçado. Iniciou na cozinha aos 8 “aninhos”, já que era muito esperta. Lavou, passou, cozinhou, criou dois irmãos, dos 15 que sua mãe teve. Casou para fugir do trabalho e do rigor de sua mãe, mas foi neste novo lar, que sua condição de mulher, foi ainda mais anulada.  Casada para servir o marido, respeitou a ordem dos pais e da sociedade, por longos 62 anos.

Nunca escondeu sua frustração, mas nunca deixou que isto interferisse na criação de seus filhos e netos. Para as filhas e netas, especialmente, ela quis o melhor. E o melhor era ser exatamente o oposto dela, que não teve direito a uma carteira de trabalho, porque não recebeu a autorização do marido. Não estudou depois de adulta porque não precisava, já que não faria diferença nenhuma para ela (segundo meu pai) e porque era feio uma mulher estudar depois de casada.

Não dirigiu, porque mulher não dirigia. A maioria era barbeira e somente as ricas podiam se dar o luxo de “esbarrar o carro”. Minha mãe era orientada a votar nos candidatos que meu pai escolhia. Não podia andar sozinha porque mulher que andava sozinha era difamada. Não podia, não podia, não podia…

Já sua neta, foi educada para não servir nenhum marido. Mesmo que ele seja o mais fofo deste mundo. Foi criada sabendo que a busca pela evolução é constante, em todos os sentidos. Estuda, trabalha, dirige, sai com amigos ou sem amigos. Vota em quem quer.  Viaja sozinha.

“Até para o exterior já foi, esta menina corajosa” dizia minha mãe, toda orgulhosa.

Minha mãe vibrava com cada conquista nossa. Eu vibro com minhas conquistas e mais ainda, as de minha filha. Passados estes 80 anos, eu penso que conquistamos muitas coisas, apesar de a luta para a conquista de nosso espaço ser diuturna.  A nossa grande vantagem é que crescemos quando incentivamos. Vamos ganhando asas quando vemos a outra fortalecida. O empoderamento das mulheres de nossa família, vinha dela, que desconhecia o termo. Eu sigo sua intuição e penso, olhando para Marina, enquanto sorri e fala de seus sonhos durante o café:

Vai minha filha, desbrava este mundo. Um mundo cheio de oportunidades para quem não tem medo. Um mundo diferente daquele de 34 e de 63. Um mundo que começou em 92 e que diferente de sua avó, te permite fazer escolhas, as suas próprias.

ivanacoluna* Edla Zim é Graduada em Administração de empresas, Relações Públicas e Publicidade e Propaganda. Possui Pós Graduação em Gestão Empresarial e Recursos Humanos. Atuou quase 40 anos no mercado, dos quais 30 anos na empresa Tracebel Energia. Mas foi na família, que Edla conquistou sua maior formação e transformação. Palestrante de diversos temas voltados ao comportamento humano, família, mulheres, empresas e jovens.  

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