*A arte de acolher

* Por Vânia Martins

Neste domingo ( 08/04) participei de um curso de seleção para voluntários do CVV( Centro de Valorização à vida), um programa humanitário que tem como missão acolher a dor emocional das pessoas através de uma escuta amorosa e acolhedora.

Durante o curso  fui visitada por uma profunda gratidão a Deus por estar num lugar mergulhado pelo amor, empatia,  compaixão e misericórdia.

Ao ouvir a querida Naura, facilitadora do curso, que a todo o momento nos chamava de “amorosa” fui me dando conta do quanto a arte de acolher é uma missão linda, mas louvável, uma verdadeira dádiva, mas que exige de nós um olhar de humildade e compaixão.

A escuta acolhedora passa por um desvencilhar-se dos nossos preconceitos; a escuta acolhedora não divide lugar com nossas opiniões e forma de pensar; a  escuta acolhedora requer de nós uma profunda humildade de que não somos melhores do que aquele que vem falar de suas dores e de “seus piores pecados”; a escuta acolhedora exige apenas escutar, sem tecer opiniões ou apresentar conselhos.

Rubens Alves em seus escritos sempre deixou claro o valor da escuta:

“O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: “se eu fosse você”. A gente ama não é a pessoa que fala bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi isso prestando atenção.”

Fiquei pensando na figura bendita de Jesus Cristo ( minha segunda pele); fiquei pensando na forma como o Mestre se aproximava das pessoas; fiquei pensando na forma como Ele (sendo Deus e Santo), sentava-se ao lado dos “piores pecadores” despreocupado em condená-los, mas preocupado em ouvi-los, perdoá-los e deixá-los seguirem livres de suas dores, de seus “pecados”,  daquilo que aprisionava-lhes a alma.

Philip Yancey em seu livro “Maravilhosa graça”  nos apresenta a graça de Deus, um pai de amor que nos acolhe como ninguém jamais poderia acolher. Ele dizia:

“Graça significa que Deus já nos ama tanto quanto é possível um Deus infinito nos amar. Deus é  um pai que sofre por  amor, ansioso por perdoar, e a graça é  uma força suficientemente poderosa para romper as correntes que nos amarram, e suficientemente misericordiosa para vencer as diferenças profundas entre nós.”

A bíblia diz  que Deus é um Deus de toda Graça!  Somente a graça de Deus e Seu Bendito amor nos colocam neste lugar de “pecadores, salvos pela graça”.

A arte de acolher passa por um ouvido mergulhado na graça; a arte de acolher passa por um lugar onde o nosso eu necessita  se afastar para o  “eu” do outro ter  espaço para se apresentar sem medo, sem culpa!

Aprendo com o Mestre Jesus a arte de acolher; aprendo com Ele a arte de Escutar; Ele me ensina que ao estar diante de uma pessoa, devo estar inteira naquele momento; que devo ouvir suas piores dores, que devo  ir  com ela  até os “porões” de sua vida sem me escandalizar ou julgar, porque todos os dias, o Pai Bendito visita com Misericórdia os meus “porões”. E esta visita me permite reconhecer que só  Ele pode me levar até a “ sala de estar”, à “sala da graça”.

A Bíblia nos ensina desde sempre “ Todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar…”

( Tiago 1:19)

Um texto tão precioso e tão cheio de sabedoria que nos algo profundo:  O acolhimento passa por um ouvido presente e  uma boca calante. Sejamos prontos para ouvir com o amor dos Céus.

Um upa na alma!

 

img-20160622-wa0008* Vânia Martins – Graduada em Psicologia pela Universidade do Sul de Santa Catarina. Pós Graduada em Psicodrama, pela Lócus/Partner RH, com foco em Psicoterapia bipessoal, casal  e grupos, obtendo o título de Psicoterapeuta Psicodramatista. Pós Graduada em Terapia Familiar Relacional Sistêmica, pelo Eirene do Brasil, Blumenau, 2014, com foco em Psicologia Clínica a casais, famílias e indivíduos, obtendo o título de Psicoterapeuta Familiar Sistêmica.

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