* A loja de sapatos

*Por Edla Zim

Era sábado, próximo do meio dia. Estávamos em quatorze pessoas na fila e um único caixa para nos atender. Pela demora, eu e mais três clientes resolvemos desistir. Na saída, porém, chamou minha atenção o número de sapatos que foram deixados nas sacolas por estas pessoas. Minha bolsa tinha apenas dois pares, por isso, voltei na segunda feira. Não voltei para comprar. Quando tenho problemas com atendimento, procuro encontrar uma maneira de entender o comportamento das pessoas e dar a minha contribuição, sugerindo melhorias no atendimento.

Entrei na loja e pedi para falar com a gerente. Quis relatar a minha preocupação com o fato ocorrido no sábado. Achei uma falta de respeito, especialmente por dois clientes desistentes, vindos de outras cidades próximas daqui. Além de desrespeito, uma falta de visão comercial. Queria entender a dinâmica da loja, ao levar a minha reclamação “ao vivo e a cores”. Os outros prometeram que nunca mais voltariamali, o que considerei ainda mais grave para a loja.

Com todo respeito expliquei o que presenciei. Para minha surpresa, ela me disse que estava em sua sala, tentando fazer contato com os empregados que haviam faltado naquele dia. Dois caixas simplesmente não apareceram para trabalhar no sábado, dia de maior movimento na loja.

Ao relatar o desespero pela falta inesperada de seus empregados, falou também da falta de comprometimento de alguns, especialmente no momento de cumprir o horário nos finais de semana.  Falou do esforço que faz para manter a equipe motivada, mas que os atrasos e faltas tornam-se cada vez mais frequentes. Conversamos mais um pouco sobre outros assuntos e saí.

Fui embora pensando em como será o futuro? No dia anterior eu havia escutado em outro segmento comercial que novas contratações seriam aceitas, somente acima de 40 anos.  Até pouco tempo atrás, a idade era considerado um empecilho pensei, enquanto escutava o relato do proprietário falando de sua frustração com “esta gurizada que não tem compromisso”.  Tanto em uma loja, quanto na outra, ficou claro que os problemas se parecem. Sabemos que o jovem tem pressa de informação e não quer perder tempo. Temos consciência de sua dependência tecnológica, o quedificulta acompanhá-los. Mas, será que estes jovens também não estão perdendo oportunidades,confundindo-as com perda de tempo?

E você já passou por uma situação parecida, imaginando muitas vezes ser uma falta de planejamento, quando a situação na verdade é inversa?

 

 

ivanacoluna* Edla Zim é Graduada em Administração de empresas, Relações Públicas e Publicidade e Propaganda. Possui Pós Graduação em Gestão Empresarial e Recursos Humanos. Atuou quase 40 anos no mercado, dos quais 30 anos na empresa Tracebel Energia. Mas foi na família, que Edla conquistou sua maior formação e transformação. Palestrante de diversos temas voltados ao comportamento humano, família, mulheres, empresas e jovens.  

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