*Você já viveu a dor da morte?

*Por Vânia Martins

A morte, palavra tão temida tem visitado democraticamente os mais variados tipos de família. As vezes ela chega devagarinho e vai deixando sinais de que está prestes a bater à porta. Outras, no entanto, chega de maneira abrupta rompendo o ciclo de vida tragicamente.

Neste momento centenas de milhares de pessoas estão vivendo a dor da perda!

E como lidar com uma dor tão intensa e prosseguir a vida depois da morte de um ente querido?

Antes de mais nada é importante compreender que o luto é um processo e não um estado. Também é importante compreender que o processo de luto é um assunto muito complexo, e que as pessoas o  vivenciam de muitas e variadas maneiras. Logo,  não há como comparar a dor das pessoas exigindo uma atitude x ou y diante da morte porque a reação à dor dependerá de muitos fatores.

O fato  é que lidar com a dor e sofrimento que  a morte nos causa não é tarefa simples, porém quanto mais sobriamente encaramos a finitude da vida mais fácil será o enfrentamento dos dias de luto.

Assim, alguns passos são importantes no processo de elaboração da dor do luto.

 

  • Aceitar a realidade da perda

Diante da morte, a tristeza certamente nos visitará e negá-la só torna o momento ainda mais difícil.  Aceitar a dor e compreender que o momento  é mesmo muito sofrível é o primeiro passo para a elaboração do luto. Aceitar que a pessoa morreu e não voltará, ainda que difícil, é necessário!

 

  • Elaborar a dor da perda

Nem todas as pessoas vivenciam com a mesma intensidade  a dor ou  a sentem da mesma forma, mas inevitavelmente ela aparecerá.

Um dos objetivos da psicoterapia do luto é ajudar o enlutado a vivenciar este processo sem que precise carregar essa dor para toda a vida. Sabemos que quando a boca fala o corpo sara. Falar da dor, ter com quem compartilhar o sofrimento desmistifica a morte. A inda que pareça mórbido é necessário ouvir o enlutado falar da morte e da dor. Não é possível  esquecer o ocorrido de uma hora para a outra. Não basta dizer ao enlutado “ bola pra frente”, porque naquele momento ele sequer está apto para “ entrar em campo”. É preciso respeitar os sentimentos do enlutado e entender que a dor precisa de um tempo para ir embora!

 

  • Ajustar-se a um ambiente onde está faltando a pessoa que faleceu

Dependendo de quem faleceu os ajustes ao ambiente poderá significar coisas diferentes para diferentes pessoas. Willian Worden diz:

“  As viúvas  levam um tempo considerável para perceber o que é viver sem o marido. Esta percepção via de regra começa aproximadamente três meses após a perda e envolve lidar com o fato de viver sozinha, educar os filhos sozinha, enfrentar uma casa vazia e tratar das finanças sozinha” (Worden,J. Willian, 1998)

Muitas pessoas podem se sentir desamparadas e incapazes de enfrentar o momento. Nestas horas a rede de apoio é muito importante, tal como, amigos e familiares.

Willian Worden, afirma que não  é raro a pessoa enlutada sentir-se perdida como se tivesse sem direção na vida. Muitos enlutados ficam inconformados e buscam respostas que os convença do que aconteceu. Na maioria das vezes não há resposta e o grande desafio é seguir a vida sem elas.

 

  • Reposicionar emocionalmente a pessoa que faleceu e continuar a vida

Na psicoterapia  o que se busca ao lado do enlutado  não é ajuda-lo a desistir da relação que tinha com quem faleceu e esquece-lo, mas ajudá-lo a encontrar um lugar adequado dentro de si para aquele(a) que partiu, um lugar que não  o incapacitará para a vida mas o ajudará a enfrentar o mundo na ausência do ente querido.

O luto não é e nunca será uma tarefa fácil porém acredito que Deus nos deu uma capacidade psíquica de enfrentamento. Costumo dizer aos enlutados que me chegam que hoje é uma história para chorar, amanhã é uma história para contar.

O mais importante é respeitar esta estação da dor vivendo um dia de cada vez, pois, hoje a alma está em seu inverno, mas amanhã a primavera certamente despontará.

 

img-20160622-wa0008* Vânia Martins – Graduada em Psicologia pela Universidade do Sul de Santa Catarina. Pós Graduada em Psicodrama, pela Lócus/Partner RH, com foco em Psicoterapia bipessoal, casal  e grupos, obtendo o título de Psicoterapeuta Psicodramatista. Pós Graduada em Terapia Familiar Relacional Sistêmica, pelo Eirene do Brasil, Blumenau, 2014, com foco em Psicologia Clínica a casais, famílias e indivíduos, obtendo o título de Psicoterapeuta Familiar Sistêmica.

 

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