* O enxoval

Ao entrar no quarto onde estávamos sendo hospedados, sentei na cama e viajei no tempo.

Aos 13 anos quando comecei a trabalhar, mamãe começou a me preparar para os trabalhos domésticos, além de ter me colocado na aula de tricô, crochê, e bordados. Logo em seguida a matrícula no curso de corte e costura, pois tínhamos que saber fazer de tudo para driblar possíveis dificuldades durante o matrimônio. 

Na escola, a disciplina de educação para o lar complementava nossos conhecimentos.  Esta pequena introdução mostra que uma expressiva maioria das mães, tinha esta cultura na década de 70.

O lençol que enfeitava a cama deste quarto fez retroceder-me 40 anos, quando recebi meu primeiro pagamento do banco onde começara trabalhar, cujo percentual foi entregue ao vendedor que estacionara o carro em frente a nossa casa, com o bagageiro lotado de peças que compunham um enxoval de uma “moça de família”.

Completamente apaixonada com a ideia de encontrar um príncipe e usar com eles os jogos de lençóis que o educado e recomendado cavalheiro nos mostrava, fui aconselhada por mamãe a comprar o jogo intermediário. Nem o mais caro, que acompanhava peças que faziam o composê, hoje vendido como kit e nem o mais barato, composto somente pelo jogo de lençol com quatro peças.

Meu primeiro jogo acompanhava uma colcha. Sim, naquela época, quanto mais colchas, mais chique era o enxoval, então a colcha era uma espécie de dote. Sua noiva não podia ter um enxoval com vários kits mas tinha várias colchas? Já era uma moça “de responsa”.

Mas voltemos a minha primeira compra. Fundo brando e corações vermelhos. Sim, eu já era apaixonada aos quinze anos e sonhava com um príncipe tão apaixonado quanto. Para complementar a beleza deste jogo, buque de flores bordados sobre a colcha que tinha o mesmo acabamento bordado na cor vermelha, o mesmo do lençol.

Acertamos o pagamento em 10 suaves prestações, afinal, eu estava começando a pagar junto com mamãe, o meu enxoval. Aquele que eu usaria com o meu amado até ficar velhinha.

Não quero entrar no mérito se era loucura ou não, fica para a próxima crônica, assim como vou falar da importância da logística para uma futura noiva que começava aos treze anos a ganhar as toalhas de louça para o seu enxoval e aos quinze, inicia a lista oficial de seu enxoval.

ivanacoluna

* Edla Zim é Graduada em Administração de empresas, Relações Públicas e Publicidade e Propaganda. Possui Pós Graduação em Gestão Empresarial e Recursos Humanos. Atuou quase 40 anos no mercado, dos quais 30 anos na empresa Tracebel Energia. Mas foi na família, que Edla conquistou sua maior formação e transformação. Palestrante de diversos temas voltados ao comportamento humano, família, mulheres, empresas e jovens.

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