*A azaleia e o pedreiro

Por Edla Zim

Por conta de uma reforma em nossa edícula, os dois pés de azáleias que enfeitavam nosso jardim com suas flores durante o inverno, foram arrancadas literalmente pelo pedreiro.

Eu até entendi a necessidade, mas ao chegar em casa e  vê-las jogadas, foi bastante agressivo para mim. Ele me viu chegar perto e falou sem a menor preocupação que aquele mato só estava atrapalhando. Não esperou para me perguntar se era para retirar ou ainda, se era para transplantar. Menor ainda sua preocupação, o fato daqueles arbustos serem importantes ou não para mim. Aquele tratamento hostil com minhas plantas, me fez muito mal.

Para ele não passava de um pé de mato. Já, para nós que somos apaixonados por jardinagem, as azaléias eram as plantas que deixavam o inverno mais bonito. Plantadas lado-a-lado para que as folhas e flores se entrelaçassem, formando um arranjo natural e colorido, eram esperadas a cada estação.

Agora, jogadas, para ele estavam destinadas ao descarte. Simples assim.  Para nós, o plano imediato era de um verdadeiro resgate.

Com as mudas recolhidas, escolhemos um lugar no jardim da frente da casa. Pensamos num lugar de destaque, depois de tamanha agressão.

Casa de esquina, medimos o quadrante de modo que as pessoas, pudessem vê-las nos dois lados da calçada. Enquanto fazíamos os buracos eu reclamava da forma rude do pedreiro e meu marido me alertava que ele de certa forma não deveria ser tão criticado.

Ele com toda certeza não sabia apreciar a beleza das flores. Não daquelas. Será que ele sabia o que era azaléias, perguntou meu marido. Poucas pessoas na verdade conhecem, continuava ele, tentando amenizar a situação.

E continuou dado sua explicação ao fato que me casou tamanha raiva. Não podemos lutar por algo que não conhecemos.  Se ele não se identifica, não lhe causa nenhum interesse.  Tenho certeza se fosse algo de interesse dele, ele não teria tratado desta forma, acredite.

Depois conversando com ele nos dias seguintes e perguntando sobre flores e jardins, ele me falou que nunca foi incentivado a cuidar de nada e nem conhecia nada a respeito.

Dois anos depois, as flores voltaram e algumas pessoas paravam na calçada para olhar as flores.

Com isto eu aprendi que não podemos exigir das pessoas o que elas não podem nos dar. Temos que respeitar a sensibilidade e a individualidade de cada um.

E você, já passou por algo parecido?

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